– Muito prazer! Eu sou uma raposinha, mas também sou conhecida como gambá ou saruê. Eu moro no quintal da Casa Shigeo há bastante tempo, e até já fiz amizade com a Cely, que me deu um nome bem pomposo: Oberon*, o rei dos elfos!
Eu tive muitos irmãozinhos. Nós nascemos bem minúsculos, cor-de-rosa e sem nenhum pelinho para chamar de nosso. Por causa disso, ficamos dentro de uma bolsa quente e aconchegante que a nossa mamãe tem em seu corpo: um marsúpio. Lá, ficamos protegidos, mamando e dormindo o dia inteiro, até crescermos e podermos sair de lá, sozinhos. Mesmo assim, a mamãe ainda nos dá uma carona nas costas dela por bastante tempo!
Eu deveria ter nascido no campo, mas nasci na cidade, por isso, aprendi a conviver com os humanos e… com os perigos de uma vida urbana! Acho que, porque somos parecidos com as ratazanas, principalmente quando ainda somos pequenos, os humanos nos detestam, infelizmente. E esse é um dos motivos pelos quais é muito raro um saruê chegar até a minha idade (eu sou velhinho, sabiam?)
Eu sou bem grande, tenho uns 40 centímetros de comprimento. Eu sou da espécie dos gambás de orelha preta, por isso, tenho uma arma secreta quando sou ameaçado e tenho tempo para perceber que serei atacado: um tipo de bolsinha que guarda um treco fedorento, que eu solto para perturbar o meu oponente e distraí-lo a tempo de eu escapar para algum lugar bem alto!
Aliás, eu vivo no alto das árvores frutíferas da Casa Shigeo (são várias!), mas, na falta delas, também poderia me ajeitar sob telhados, forros, calhas e até buracos em muros. Eu gosto de comer frutas (as minhas preferidas são banana, mamão e frutinhas doces), escorpiões, baratas, caramujos, minhocas, ovos, e até filhotes de roedores. Mas me alimento de qualquer coisa que seja comestível, inclusive, comida feita para os humanos e para os seus animais domésticos (restos de comida e ração de gatos e cachorros também entram no meu cardápio).
Apesar de ter fama de ser arisco, briguento e extremamente territorial (o que é verdade), eu sou um animal de natureza pacífica. Prefiro viver solitário, dormir o dia inteiro e só dar as minhas saidinhas à noite para me alimentar e, especialmente na primavera, sair para namorar. Mas, nessa fotografia, eu estou esticando as pernas no quintal, em plena luz do dia, aproveitando um solzinho matinal para aquecer os meus ossinhos idosos. Quem sabe, um dia, nos conheçamos pessoalmente.
Um abraço!
*Personagem da peça teatral sonho de uma noite de verão, de William Shakespeare, escrita e encenada no final do século XVI.



